Na última segunda, dia 6 de agosto de 2018, Deus, em sua soberania, me colocou dentro da maternidade de um hospital. Enquanto o Supremo Tribunal Federal e o Brasil discutiam sobre a legalização do aborto eu via meu primeiro filho nascer. Enquanto mulheres egoístas e homens covardes falavam e publicavam a favor da morte de crianças inocentes e indefesas eu assistia de perto o espetáculo divino da vida. Que constraste de realidade! Um constraste que não é visto somente nas maternidades, mas na vida da maioria dos brasileiros comuns. Depois da conversão aquela madrugada foi a grande experiência da minha vida e quero compartilhar um pouco daquilo que vi e ouvi aqui para dizer em caps lock: A VIDA VENCE!

Chegamos no hospital por volta das 5h30 da manhã de segunda. Eu e minha esposa ficamos esperando pela hora do parto. A cesária estava marcada para as 7h30. Ao se aproximar a hora fomos para a sala de cirurgia. Ali fui impactado pela primeira vez. Fiquei numa sala de espera aguardando minha entrada ser liberada. De lá eu escutava gritos e gemidos de mulheres em trabalho de parto normal. Eram sons assustadores se não fosse o contexto da maternidade. Mesmo assim, aqueles gritos de dor me deixaram nervoso. Também ali comecei a pensar: há poucas mulheres lá fora “lutando” pela legalização do aborto enquanto essas estão aqui verdadeiramente lutando pela vida. Enquanto um grupos de mulheres recebe financiamentos de milhares de dólares e vão a mídias e reuniões públicas falar sobre o aborto ali estavam guerreiras, mulheres normais, dando o próprio sangue pela vida de seus filhos.

Sim, eu disse poucas mulheres que “lutam” pela legalização do aborto. Numa pesquisa realizada pelo IPOBE* em fevereiro desse ano (2018) a pergunta sobre essa questão foi feita. O resultado foi que 80% da população brasileira é contra a legalização do aborto. Entre os homens os número é de 79% e entre mulheres de 81%. Ou seja, a grande maioria da mulheres é contra. E mais, temos um número maior de mulheres contra do que de homens, um dado que frusta um dos pontos da narrativa feministas. Que contraste com o que vemos nas mídias, a brasileira é pró vida!

A hora da minha esposa chegou e o parto foi sensacional. Nunca conseguirei descrever em palavra o que senti vendo o pequeno Davi pela primeira vez. Deus é incrível! Depois disso fomos para a enfermaria e ficamos num quarto com outro casal que também acabara de ter o filho. Ali começava uma saga impressionante bela e cansativa. Bem mais bela do que cansativa diga-se de passagem, não pelo pouco cansaço, não mesmo, mas pela beleza da vida. Passamos o dia inteiro e entramos na madrugada de segunda para terça numa rotina de amamentar – arrotar – contemplar – trocar fralda – cuidar da esposa – contemplar. Não havia tempo e nem lugar adequado para dormir. Aquela foi uma madrugada longa, exaustiva e dolorida, mas cheia de alegria e gratidão pela vida.

Ali, na madrugada da vida, vi coisas que nunca esquecerei. Vi mães operadas e debilitadas fazerem de tudo para manter seus filhos recém nascidos alimentados e aquecidos. Vi pais de primeira viagem sonolentos e exaustos aprendendo a trocar fraldas e dar banhos em seus filhos. Vi esses pais andando e correndo pelos corredores para chamar enfermeiras e trocar medicações. E lá estava eu no meio de tudo isso, fazendo tudo isso, sendo pai pela primeira vez. Naquela madrugada estávamos juntos de todo os tipos de pessoas. Haviam casais com plano de saúde e casais atendidos pelos SUS. Haviam mães brancas, pardas e negras. Percebi que uma delas, pela ausência do pai e conversa com a mãe, provavelmente e infelizmente era mãe solteira. Estávamos todos ali, independe de classe social, cor e estado civil, lutando pela vida!

E aqui está outra realidade contrastante das brasileiras comuns. A mesma pesquisa do IBOPE* mostrou que, além do maior percentual contra o aborto estar entre as mulheres, esse percentual é maior ainda entre as que tem renda até 1 salário mínimo (86%) e entre as que são negras ou pardas (81%). Ou seja, a narrativa feministas que diz falar em nome principalmente das mulheres negras e pobres do Brasil mais uma vez é frustrada. Esse grupo social de mulheres brasileiras é o maior grupo contra a legalização do aborto.

Naquele hospital também estava um casal da minha igreja que acabou de ter um filho prematuro. A gravidez era de risco e mãe precisava tomar de uma a duas injeções por dia com medicação para manter a gestação. No sétimo mês uma intervenção precisou ser feita e o bebê nasceu. Ele está na UTI neonatal e ficará por lá no mínimo dois meses. Vi um casal que vai duas vezes ao dia todos os dias ao hospital para cuidar dessa pequena e valiosa vida. Fiquei encantado e encorajado por essa luta desses irmãos queridos. Mas um grande exemplo sobre o valor sagrado da vida! Que Deus abençoe essa criança e sua família. Orem por eles!

O sol raiou e com ele a esperança no meu coração. A madrugada acabou, mas a beleza da vida só estava começando para nós e outras famílias. Raiou a esperança de ver um povo a favor da vida não só dentro das maternidades, mas no dia a dia comum e nos debates legislativos. A pesquisa aqui mostrada serve para mostrar exatamente isso, que fora dos hospitais a luta pela vida também é maioria! Assim, cresceu em mim a esperança de lutarmos por aqueles que estão sendo tecidos por Deus no ventre de suas mães (Sl 139:13) e que desde lá são visto e conhecidos pelo Criador (Sl 139:16)! Deus ministrou ao meu coração naquela madrugada de forma incrível. E se antes eu já abominava o aborto, agora o abomino mil vezes mais!

Com 7 semanas de gestação eu ouvi o coração do meu filho bater pela primeira vez e 32 semanas depois aquele mesmo coração estava batendo sobre o meu peito. Escrevo com os olhos marejados que aquele era o mesmo coração, a mesma criança, o mesmo ser humano. Que coisa maravilhosa e sagrada é uma gestação. É um processo biológico criado e santificado pelo próprio Deus. Pude experimentar essa experiência junto com Laryssa e lembrar que nosso Senhor e salvador, Jesus Cristo, Filho de Deus, já foi um embrião e um feto. E não só isso, mas como feto foi identificado por outra criança também no ventre (Lc 1:41). A gestação é santa e sagrada porque o Filho santo de Deus já passou por ela e a concedeu dignidade, assim como todas as outras etapas da vida.

A vida sempre vencerá! Até mesmo as vítimas de aborto ressuscitarão e estarão no céu com o Senhor. Continuemos na luta! Eu nunca vou esquecer daquela madrugada e do que ela me ensinou… Espero que lembremos de tudo isso quando a questão do aborto estiver diante de nós! Deus abençoe e proteja nossas crianças!

 

*Site do Ibope com a pesquisa: http://www.ibopeinteligencia.com/noticias-e-pesquisas/cresce-o-grau-de-conservadorismo-do-brasileiro-em-alguns-temas/

 

Pedro Pamplona é casado com Laryssa e pastor na Igreja Batista Filadélfia, em Fortaleza. Formado em Administração pela Faculdade 7 de Setembro (Fortaleza/CE), pós-graduado em Estudos Teológicos pelo Centro Presbiteriano Andrew Jumper (São Paulo/SP) e estudante do Sacrae Theologiae Magister (Th.M) em Teologia Sistemática do Instituto Aubrey Clark (Fortaleza/CE).